Projeto recupera 149 hectares e cria corredor ecológico em Marabá Paulista
08/08/2026 16:49:08
Área reflorestada na Estação Ecológica Mico-Leão-Preto registra retorno da fauna silvestre e fortalece conservação da biodiversidade regional; IPÊ e Fundação Itesp monitoram iniciativa
Foto: AI da Cart
Uma área que até poucos anos ocupada por pastagem atualmente apresenta uma floresta em desenvolvimento, com árvores que chegam a 15 metros de altura, e o retorno de espécies emblemáticas da fauna brasileira. A transformação é resultado do projeto de compensação ambiental desenvolvido na reserva do mico-leão-preto, em Marabá Paulista, município que fica na região de Presidente Prudente.
Iniciado em 2018 como parte das medidas compensatórias pelas intervenções realizadas durante as obras de duplicação da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), o projeto conduzido pela Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) recuperou uma área de 149 hectares por meio do plantio de aproximadamente 200 mil mudas de espécies nativas da região. A área equivale a 209 campos de futebol e é praticamente o espaço do Parque Ibirapuera, localizado na cidade de São Paulo.
Mais do que cumprir uma exigência ambiental, a iniciativa restaura uma área degradada e cria uma conexão entre fragmentos florestais, ampliando as condições para deslocamento e abrigo da fauna silvestre, especialmente do mico-leão-preto, um dos primatas mais raros e ameaçados de extinção do mundo, cuja ocorrência está restrita a poucas localidades do interior paulista.
Passados alguns anos desde o início do reflorestamento, o cenário é completamente diferente. Onde antes predominava o pasto, hoje a vegetação forma um corredor ecológico que conecta áreas de mata nativa. A floresta segue em desenvolvimento, com regeneração natural e árvores que alcançam entre 10 e 15 metros de altura.
Retorno dos animais
O resultado também pode ser observado pelo retorno da fauna. Monitoramentos realizados pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) registram a presença de espécies como onça-pintada, onça-parda e anta, entre outras.
Sobre o mico-leão-preto, há evidências de aproximação desses animais à área recuperada, evidenciando o bom desenvolvimento da área e a retomada das funções ecológicas do ambiente.
O projeto é acompanhado pelo IPÊ, responsável pelos Programas Corredores da Vida e Conservação do Mico-Leão-Preto, e contou ainda com a participação da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).
O reflorestamento foi desenvolvido em conformidade com a legislação ambiental vigente, utilizando exclusivamente espécies nativas da vegetação regional, incluindo espécies de importância para a conservação da biodiversidade.
Muito além do plantio
Segundo o coordenador de Meio Ambiente da Cart, Murilo Pires dos Santos, a recuperação da área demonstra que os resultados da compensação ambiental vão muito além do plantio de mudas.
“Quando observamos a conexão formada entre os fragmentos florestais e o retorno de espécies importantes da fauna, percebemos que o projeto alcançou seu principal objetivo: devolver funções ecológicas a uma área antes degradada e contribuir efetivamente para a conservação da biodiversidade regional”, destaca Murilo Pires dos Santos.
Embora grande parte da área já apresente resultados expressivos, o trabalho continua. Atualmente, outros 64 hectares permanecem em fase de manutenção, assegurando o desenvolvimento da vegetação e a consolidação do processo de recuperação ambiental. (Com informações da Assessoria de Imprensa da Cart)