3ª Vara de Presidente Venceslau aceita denúncia contra Deolane e Marcola
19/06/2026 11:42:24
Influenciadora e advogada, que está presa em Tupi Paulista, e Marcos Willians Herbas Camacho viram réus por organização criminosa lavagem de dinheiro
Foto: Arquivo/Prudente News
ELAINE PATRICIA CRUZ
AGÊNCIA BRASIL
A 3ª Vara de Presidente Venceslau aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP) e tornou réus a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e Marcos Willians Herbas Camacho, Marcola, apontado como líder de uma organização criminosa, que atua dentro e fora dos presídios paulistas. Eles vão responder pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Além deles, outras três pessoas foram denunciadas pelos mesmos crimes: Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. O processo corre sob sigilo.
De acordo com a denúncia, dois dos denunciados exerciam funções de liderança da organização criminosa, enquanto os demais atuaram em diferentes etapas da engrenagem financeira responsável pela ocultação e circulação do dinheiro.
Além de torná-los réus, a Justiça paulista determinou ainda o bloqueio de bens de um dos envolvidos, que é apontado como operador de um esquema que usou uma transportadora para dissimular e reinserir recursos ilícitos da organização criminosa na economia formal.
As investigações identificaram a utilização da transportadora como empresa de fachada para movimentação dos recursos, além do emprego de depósitos fracionados, transferências por PIX, contas de terceiros e empresas interpostas para dificultar o rastreamento dos valores.
Segundo o Ministério Público para a Agência Brasil, as investigações foram feitas com base em mensagens extraídas de aparelhos celulares, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, comprovantes de depósitos e informações obtidas em operações anteriores relacionadas ao mesmo esquema.
Continuam presos
Deolane foi presa em maio pela Operação Vérnix, que investiga lavagem de dinheiro para a organização criminosa. Atualmente, ela está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (foto), que fica localizada na Nova Alta Paulista.
Segundo as investigações, a influenciadora recebia valores provenientes de uma transportadora criada pela da organização criminosa, com sede em Presidente Venceslau, e fazia a lavagem do dinheiro da organização criminosa.
Já Marcos Willians Herbas Camacho, Marcola, está preso na Penitenciária Federal de Brasília.
Outro lado
Por meio de nota para Agência Brasil, o advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, negou as acusações.
Segundo o advogado, Marcos Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, estão custodiados em presídio federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, “submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia equívoco da acusação”.
Já os investigados Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola, alegam que o fato de terem vínculo familiar com os demais denunciados não poderia “ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude”.
“A Defesa, diante da acusação apresentada, adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos constituintes, confiando que, ao final da regular instrução processual, a verdade dos fatos será devidamente reconhecida pelo Poder Judiciário”, escreve Bruno Ferullo.
A Agência Brasil também procurou a defesa de Deolane Bezerra, mas não teve sucesso e está aberta a acrescentar seu posicionamento.