Em duas décadas, região de Prudente perde 281 leitos do SUS
10/08/2026 13:18:45
Levantamento aponta redução de 16,4% na oferta de vagas de internação na RRAS 11, enquanto Ministério Público monitora superlotação do Hospital Regional; Estado afirma ter ampliado a capacidade assistencial da rede
Foto: Carlos Shirosawa/AI da Unoeste
A Região de Redes de Atenção à Saúde (RRAS) 11, que abrange Presidente Prudente e municípios do Oeste Paulista, registrou redução de 281 leitos de internação do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos 20 anos, conforme dados do Sistema TABSUS.
O total passou de 1.710 leitos em outubro de 2005 para 1.429 em janeiro de 2026, uma queda de 16,4%. O cenário ocorre paralelamente à investigação do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) sobre a superlotação no Hospital Regional (HR) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo de Prudente, motivada por denúncias de atendimento de pacientes nos corredores da unidade.
Os dados mostram que Prudente reduziu a oferta de 879 para 752 leitos no período, retração de 14,4%, enquanto Dracena manteve 108 leitos. Em outros municípios, houve aumento, redução ou ausência de registros na base consultada.
Segundo o Departamento Regional de Saúde (DRS), a diminuição está relacionada à reestruturação da política de saúde mental, com o fechamento de hospitais psiquiátricos e desinternação de pacientes, além de questões administrativas envolvendo a gestão de unidades hospitalares municipais.
Leitos reativados
Já a Secretaria de Estado da Saúde informou que, desde 2023, reativou 207 leitos na RRAS de Prudente, possibilitando mais de 236,5 mil internações e 77,6 mil cirurgias eletivas.
A pasta também destacou o repasse superior a R$ 165,2 milhões para 17 hospitais filantrópicos da região por meio da Tabela SUS Paulista e afirmou que avalia permanentemente a necessidade de ampliação da oferta de leitos.
Inspeção realizada
O MP-SP realizou inspeção, no dia 3 de agosto, no Hospital Regional, e constatou redução da superlotação. Segundo a Promotoria Regional de Saúde, há cerca de 20 dias a unidade chegou a registrar aproximadamente 60 pacientes acomodados em macas nos corredores.
Durante a vistoria, apenas duas pessoas aguardavam exames e não estavam internadas. A melhora ocorreu após a transferência de pacientes para outras unidades da região, medida adotada pela Secretaria Estadual da Saúde.
Apesar da redução da demanda, o Ministério Público informou que continuará acompanhando a situação do HR e pretende ampliar o monitoramento da rede regional, defendendo a ampliação de acordos com hospitais filantrópicos para atendimento de casos de média complexidade.