Campanha Setembro Amarelo reforça importância do cuidado com saúde mental
10/09/2026 11:45:17
Aline Scardovelli, psiquiatra em Prudente, ressalta que ação tem papel importante na disseminação de conhecimento e na preparação da sociedade para reconhecer situações de sofrimento psíquico
Foto: AI da Unimed Presidente Prudente
Durante o mês de setembro, a atenção se volta para um tema que precisa estar presente durante todo o ano: a saúde mental e a prevenção ao suicídio. A Campanha Setembro Amarelo busca ampliar o diálogo, levar informação de qualidade à população e reforçar a importância do acolhimento diante de situações de sofrimento emocional.
Celebrado, nesta quinta-feira, 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio reforça essa mobilização. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil suicídios foram registrados no mundo em 2019. No Brasil, são aproximadamente 14 mil casos por ano, o equivalente a aproximadamente 38 mortes por dia.
Para a psiquiatra da Unimed Presidente Prudente, Aline Scardovelli (foto), a campanha tem um papel importante na disseminação de conhecimento e na preparação da sociedade para reconhecer situações de sofrimento psíquico.
“O Setembro Amarelo tem justamente esse papel: trazer informação, ampliar o conhecimento sobre saúde mental e, principalmente, preparar as pessoas para reconhecer e lidar com situações de sofrimento psíquico”, pontua Aline Scardovelli.
De acordo com a especialista, o cuidado pode começar com atitudes simples, como ouvir, estar disponível para conversar e acolher. Quando o sofrimento ultrapassa aquilo que familiares e amigos conseguem oferecer, é importante incentivar e facilitar o acesso a um profissional de saúde.
Atentos aos sinais
Nem sempre o sofrimento emocional é evidente. Por isso, mudanças significativas no comportamento habitual podem servir como um alerta.
Segundo a médica, alguns sinais que merecem atenção são: isolamento ou afastamento de amigos e familiares; perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer; alterações no sono e no apetite; cansaço ou redução de energia; dificuldade de concentração; queda no rendimento escolar ou profissional; descuido com a aparência e os cuidados pessoais; sentimentos de culpa ou de ser um peso para outras pessoas; manifestações de desesperança ou de que não há saída para os problemas; e falas relacionadas à morte, ao desejo de desaparecer ou de não estar mais aqui.
“Essas falas não devem ser banalizadas ou interpretadas simplesmente como uma tentativa de chamar atenção. Elas precisam ser acolhidas e levadas a sério”, alerta a especialista.
Aline Scardovelli ressalta que não é necessário identificar um único sinal. Mudanças persistentes no comportamento, especialmente quando vários desses aspectos aparecem juntos, merecem atenção.
Como ajudar
Diante de alguém em sofrimento, o primeiro passo é oferecer acolhimento. Escutar sem julgamentos, demonstrar presença e mostrar que a pessoa não está sozinha são atitudes importantes.
“Uma das melhores formas de ajudar é acolher, escutar e, principalmente, ajudar essa pessoa a chegar até quem tem preparo para cuidar dela”, explica a psiquiatra.
Familiares e amigos não precisam ter todas as respostas nem resolver a situação sozinhos. A rede de apoio em saúde mental pode oferecer presença, carinho e suporte para que a pessoa tenha acesso ao cuidado adequado.
Fortalecer rede de apoio
Falar sobre saúde mental contribui para ampliar o conhecimento, reduzir estigmas e aproximar as pessoas do cuidado. Essa rede pode estar na família, entre amigos, colegas ou outras pessoas com quem exista uma relação de confiança. Também inclui profissionais capacitados para avaliar, tratar e acompanhar cada situação.
Como reforça a psiquiatra Aline Scardovelli, “ninguém precisa dar conta disso sozinho”. “A atenção à saúde mental não deve ficar restrita ao mês de setembro. Estar atento, ouvir, acolher e incentivar a busca por ajuda são atitudes que podem fazer parte da rotina durante todo o ano” salienta a especialista.