Apoena completa 38 anos com plantio de árvores nativas às margens do Rio Paraná
06/10/2026 12:31:40
Cerimônia marca trajetória da entidade ambientalista criada em 1988, por meio da mobilização de um grupo de profissionais de diferentes áreas, liderado pelo jornalista Djalma Weffort, e dedicada à proteção da Mata Atlântica de Interior e de áreas naturais
Foto: AI da Apoena
A Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena) comemorou, nesta segunda-feira (5), 38 anos de atividades em defesa da Mata Atlântica de Interior. E, como já é usual, a cerimônia foi o plantio de mudas de árvores nativas em área de reserva legal nas margens do Rio Paraná.
Primeira Organização Não Governamental (ONG) ambientalista do Pontal do Paranapanema, a Apoena nasceu, em 1988, por meio da mobilização de um grupo de profissionais de diferentes áreas, liderado pelo jornalista Djalma Weffort, o idealizador da associação.
A escolha de 5 de outubro não foi por acaso. Nesse dia foi promulgada a então recém-instalada Constituição Brasileira, que dedicou um capítulo inteiro ao meio ambiente e a proteção da biodiversidade brasileira.
O nome Apoena foi emprestado da linguagem dos índios tupi-guaranis que significa ‘recuperar’, ‘refazer’, ‘ver na frente’ e tem analogia com a palavra Paraná, ‘irmão do mar’, na expressão poética das comunidades tradicionais que habitavam o Oeste paulista.
Atuação de fôlego
Nos primórdios da atuação da ONG, o nome Apoena ficou nacionalmente associado à luta da sociedade contra os danos ambientais que seriam provocados pela construção da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, em Porto Primavera, em Rosana, e desde então não parou.
Participou ativamente das principais conquistas de compensação ambiental como a criação dos parques estaduais do Rio do Peixe e Aguapeí e a restauração do remanescente da Reserva Estadual Lagoa São Paulo, no Estado de São Paulo, e o Parque Estadual das Várzeas do Ivinhema, no Mato Grosso do Sul.
Em conjunto com outras instituições, propôs a construção de dispositivos para transposição de peixes e sugeriu o rebaixamento da cota de operação da hidrelétrica que poupou 40 mil hectares de áreas na iminência de serem submersas.
Novos horizontes
Nos tempos mais recentes, a entidade tem se dedicado a projetos de restauração florestal, pesquisas ecológicas, educação ambiental e formulação de propostas para as políticas públicas na área socioambiental e enfrentamento da crise climática.
Tornou-se Unidade Regional (UR) do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica – o Pacto, é filiada à Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) e mantém representação ambientalista e nos vários conselhos consultivos das unidades de conservação do Oeste Paulista.
Defende historicamente a ampliação e criação de novas unidades de conservação e a instituição do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná, que protege a Mata Atlântica e os ecossistemas associados a várzeas e Cerrado na bacia hidrográfica do Alto Paraná, no chamado Corredor Trinacional do Mercosul.
Troca de conhecimentos
Participou do fórum paralelo de ONGs, na Eco-92, no Rio de Janeiro, da fundação da Rede Aquífero Guarani e do Diálogo Florestal para a Mata Atlântica, Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) e no Conselho Consultivo do Sistema de Informação e Gestão de Áreas Protegidas e de Interesse Ambiental do Estado de São Paulo (Sigap).
É reconhecida como entidade de utilidade pública por lei municipal, signatária do Protocolo Climático Paulista (COP 21), em Paris (França), e, entre outras láureas, recebeu os prêmios mico-leão-preto de biodiversidade (2012), Muriqui (2020), pela Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e Benjamin Resende 2024, outorgado pela Associação Prudentina de Escritores (APE).
A Apoena trabalha em parceria com instituições e coletivos da sociedade civil, imprensa, governo, universidades, Ministério Público (MP), companhias energéticas, institutos de reforma agrária e empresas da iniciativa privada.